acho que ainda vou a tempo de dizer isto

Percorri mais de 15 sites de noticias, vi todos os canais que tinha ao meu dispor, li todos os jornais em todas as linguas que conhecia e em nenhum deles vinha a explicacao - ou sequer a curiosidade - sobre a morte dos dois soldados israelitas que (e cito todos os orgaos de comunicacao do Planeta) "foram raptados pelo Hezbollah em 2006, no incidente que deu origem a intervencao armada de Israel no Libano".

Sempre, sempre, a mesma noticia: os soldados foram raptados, a guerra comecou, e agora os corpos dos soldados regressam, em troca de 5 prisioneiros libaneses e uma mao-cheia de corpos libaneses e palestinianos.

Mas o mais importante, parece-me a mim, nao era dizer (ou pelo menos mostrar querer saber!!) como e que eles foram mortos? Como e que todos os orgaos de comunicacao do MUNDO referem "corpos" e "soldados raptados" na mesma frase, sem ligar as duas expressoes??

Isto é, sao suficientemente importantes para comecar uma guerra e para garantir directos da fronteira de Israel com o Libano quando voltam em caixoes, gasta-se rios de tinta e horas de televisao a debater, durante meses, se estao vivos ou mortos, mas quando se anuncia que vao regressar MORTOS, ninguem se questiona porque, como, e quando.

E espantoso. Nao sei se fui o unico a reparar nisto. Espero que nao caro leitor (que esta de ferias na praia e nao quer saber disto para nada).

Irrita-me a massificacao da Noticia, mesmo a nivel internacional. A Noticia, como me é dada a observar hoje, nao é a realidade que se relata, mas sim a historia que se constroi a volta de determinada realidade. Assim, os "corpos" dos "soldados raptados" passaram a estar unidos na mesma frase e isso bastava como Noticia.

A Noticia era essa, e ninguem se deu ao trabalho de investigar ou explicar, a mais do que obvia questao: como e que eles morreram? E, mesmo que isso ja fosse sabido, como e que ninguem o menciona nas reportagens?

Como é que todos os orgaos de comunicacao do Planeta reportam uma noticia igual, que está incompleta?

Andam-se a copiar uns aos outros?

E uma loucura. E uma promiscuidade intelectual.

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duas estrelas michelin

ha aqui uns pacotes de arroz que se compram e se metem dois minutos no micro-ondas e saem de la optimos e prontos a comer. sinto-me como um refugiado do norte do Uganda que chega pela primeira vez a Kampala.

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tudo o que e preciso para se ser feliz dps de uma hora de sono e 7 de missa com o Papa

http://www.metacritic.com

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Ocorrem-me inumeros pensamentos sobre tudo isto, mas nenhum é definitivo e a maioria nao é publicável

Hugh Cornwell clearly states "'Golden Brown' works on two levels. It's about heroin and also about a girl". Essentially the lyrics describe how "both provided me with pleasurable times." (Wikipedia)



Golden brown texture like sun
Lays me down with my mind she runs
Throughout the night
No need to fight
Never a frown with golden brown

Every time just like the last
On her ship tied to the mast
To distant lands
Takes both my hands
Never a frown with golden brown

Golden brown finer temptress
Through the ages she's heading west
From far away
Stays for a day
Never a frown with golden brown

Never a frown
With golden brown
Never a frown
With golden brown

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Free Hugs, 3

Quem diria que dois anos depois eu ia andar a passear-me por estas ruas e chama-las de casa.


Lembro-me de, na altura, olhar fascinado para todos os pormenores e tentar imaginar como seria o resto das ruas, por tras do que se via!

Sydney. Quem diria. 

http://maisdemilvozes.blogspot.com/2006/10/free-hugs.html

http://maisdemilvozes.blogspot.com/2007/04/free-hugs.html

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Growing new skin



Hoje estava num ferry que sai do centro de Sydney para um suburbio de praia fora do porto, chamado Manly, e, quando passavamos pela Opera House, que tenho visto todos os dias nas minhas deambulacoes pela cidade, fiquei pela primeira vez indiferente perante tao magnifica construcao. 

Na realidade, nao era a beleza do edificio que me tinha chamado a atencao das vezes anteriores, mas o facto de estar la e de, estando la, eu estar a ve-lo, o que provava o improvavel, que era eu tambem estar la (ou ca).

Passaram-me pela cabeca - nesse momento em que o meu ferry ganhava uma certa velocidade que ja me pedia para fechar o casaco no frio fim de tarde austral - inumeros momentos em imensos sitios diferentes em que o facto de estar em lugares unicos nao me estava a provocar nenhum sentimento de emocao especial, antes, pelo contrario, manifestando-se provocativamente obvios.

A verdade e que, mesmo que passar de ferry pela Opera House (ou sair uma vez por semana na estacao de metro "Colosseo" em Roma, ou ter um quarto com vista para o Cairo, ou acordar todos os dias durante uma semana num barco no meio da Amazonia, ou beber durante cinco fins de tarde um copo com vista para os Himalayas) seja um acontecimento marcante para quem vive em Portugal (ou em qualquer sitio longe desses ou outros lugares), esse acontecimento so sucede porque a pessoa que o vive esta nesse momento em Sydney. E, sabendo a pessoa (neste caso, eu) que esta em Sydney (ja que nao vim ca parar por nenhuma teletransportacao inesperada), passar de ferry pela Opera House torna-se, as tantas, tao obvio como apertar os sapatos de manha (no meu caso, empurrar os atacadores para debaixo dos pes) ou beber um copo de agua.

Isto nao desmistifica de maneira nenhuma a beleza que e a Opera House e o espectaculo que e estar a viver em Sydney. Mas, pensava eu hoje, prova que ha um certo egocentrismo nas reaccoes quando se esta fora de Portugal, a viajar ou a viver.

Nao aquele egocentrismo narcisista e sensual, mas antes um egocentrismo na linha do geocentrismo ptolomeico ou do heliocentrismo coperniano.

Basicamente (e neste momento o ferry ja atracava em Manly e eu saia calmamente em direccao a um fim de tarde numa praia espectacular a 20 minutos de Sydney), a realidade mental de uma pessoa adapta-se ao lugar onde se esta e molda-se as caracteristicas do lugar, de tal forma que passar pela Opera House nao provoca qualquer tipo de reaccao fora do comum.

A Opera House aqui, para alem da obvia maravilha que e, representa sobretudo a prova de que se esta em Sydney, e e especialmente nesse contexto que eu me refiro a ela - como simbolo de Sydney.

Chamo a isto egocentrismo porque o reconhecimento deste sentimento opoe-se a uma crenca que muitos de nos temos antes de sair do nosso pais durante um periodo de tempo consistente, que e o de que nos somos a nossa casa e tudo roda a volta dessa realidade original. Ao sair desse casulo, comparamos as realidades que estamos a v(iv)er com a nossa casa, e deixamo-nos espantar infinitamente, porque tudo nos parece longinquo, mesmo estando a frente dos nossos olhos.

Eu chamaria a esta crenca (ou esta postura ou sentimento) algo como casa-centrismo.

Ao assumir uma identidade independente desse casulo original, colocamos a responsabilidade do nosso corpo no preciso local em que ele se encontre a determinado momento. Isso desvanece em enorme medida o nivel de comparacao que fazemos com a nossa casa original, colocando o Presente (e nao o Tradicional) no centro do Momento.

Pode parecer que esta postura (que, ja agora lembro, nao e proactiva em mim, mas simplesmente se manifesta sem eu a controlar) tira a piada a viajar e conhecer novos lugares. Esse foi um pensamento que me assustou durante alguns momentos.

Mas depois reparei que, pelo contrario, aperceber-me desta realidade me transforma numa pessoa muito mais maleavel e dinamica, mais movel, mais fluida, mais confiante em todo o lado.

O egocentrismo (no contexto que acabo de tentar explicar) coloca-nos no centro da nos mesmos, facilita a nossa integracao em qualquer lugar do Mundo e favorece o nosso respeito pela nossa casa e pelas nossas raizes porque, quando nos apercebemos de que estamos bem em qualquer lado onde estejamos, comecamos a questionar o Porque de, na realidade, continuarmos a achar que Casa e o melhor sitio do Mundo.

Quando, como e o meu caso, encontramos mil e uma razoes para continuar a gostar de Casa, estando a ver baleias na Patagonia ou a ver Canallettos em Veneza, relaxamos confortaveis no nosso egocentrismo, sentimo-nos contentes no Porto de Sydney e sabemos que, corram as coisas mal ou bem, ha sempre uma Casa.

E com esta conclusao finalmente estruturada na minha cabeca, relaxei-me ainda mais na viagem de regresso a Sydney, pousei o Midnight's Children no banco, e absorvi com uma nova emocao os ultimos raios de sol que desapareciam, alaranjados, por detras da Ponte de Sydney e dos seus enormes arranha-ceus, enquanto o ferry se aproximava, devagarinho, de mais uma noite.

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Obrigado por terem vindo ao jantar e a despedida.

Adorei estes dias em Lisboa-casa, raiz, refugio e, claro, futuro.

Portas abertas la em baixo.

(Ha mais um canguru na Australia)

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